segunda-feira, 2 de Março de 2009

Democracia

Ouvindo os apelos do líder "unânime" do PS para uma maioria absoluta nas próximas legislativas, fico a pensar se os políticos deste país compreendem bem o que é governar em democracia. Já não é a primeira vez que isto sucede, e nem sempre com estes personagens, outros de cores opostas já o fizeram, bem como os actuais.
Agora, ao estilo dos profetas da desgraça que se colocavam numa praça em cima de um barril a anunciar o fim do mundo, os nossos bons governantes dizem por outras palavras que o único caminho é o de dar nova maioria absoluta ao partido do governo, para evitar o risco de mergulhar o país numa crise catastrófica.
Eu não compreendo esta posição, é óbvio que governar em maioria absoluta é muito mais confortável, mas será que a opinião dos eleitores não deve ser respeitada, seja ela qual for? Será que, no caso de os votos estarem divididos, isso não representa a divisão de ideologias de quem opta por cumprir o seu dever cívico? Será que, no caso de isso suceder, os partidos não terão a obrigação de chegar a entendimentos que sustentem a governação do país? Eu penso que sim.
Apesar da declaração de respeito pelos eventuais resultados que saiu do congresso, não deixaram de avisar para os perigos que vêem numa maioria relativa. Mas é normal, são os mesmos que vêem perigos em tudo, em livros numa estante, em comentadores, em reuniões de professores, em "bocas" ditas à mesa... São os mesmos que tanto prometeram para tão pouco cumprirem. São os mesmos, que apesar disso, lideram as sondagens. O que nos diferencia? Para além de muito mais, uma simples situação; se, ao contrário do meu desejo, voltarem a conquistar a maioria absoluta, eu vou aceitar isso porque terá sido a vontade da maioria, enquanto de isso não suceder, iremos assistir a golpes de teatro para dramatizar tudo e mais alguma coisa e voltar a levar o país a eleições.
A minha ideia de representatividade, é que cada força política apresente as suas ideias, os seus planos, e até as possíveis alianças pós-eleições, e que o povo possa votar em consciência. Depois, os resultados devem ser respeitados, como têm sido durante estes quatro anos, mesmo quando o programa do governo foi quebrado sucessivamente. A minha ideia de democracia, é aceitar viver num país que tem Sócrates como PM, mesmo quando este tem ministros que gostam é de malhar.
Se há algo que esta crise teve de positivo, na minha opinião, é que a tentativa de bipolarização partidária que muitos tentaram alcançar, parece agora colocada na gaveta, pois muitos já perceberam que a responsabilidade não vem só de fora, e que muitos dos responsáveis governaram desde o 25 de Abril e continuam por aí a falar e a publicar livros como se nada fosse da sua responsabilidade.

segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

O mundo à espera

O Mundo está à espera de terça-feira. Olhando para a América e esperando por uma mudança milagrosa. Mudança essa que é falada por ambos os candidatos, mas será que podemos esperar que se concretize? Não creio.
Da parte dos Republicanos é quase mais do mesmo, só não digo que não muda nada porque é quase humanamente impossível continuar a política de Bush, tanta barbaridade junta em tão pouco tempo é algo que poucos ousaram tentar e ainda menos conseguiram atingir. Bush fê-lo, e pior, ainda há quem o defenda...
A grande questão é se do outro lado se pode esperar alguma diferença, confesso que faço parte daqueles que se sentiram cativados por Obama, o seu discurso começou bem, a sua postura é engraçada, a perspectiva de um afro-americano na casa branca é um grande progresso para aquele país, tudo isso são pontos a favor. No entanto, vivo agora um receio que só será confirmado ou não no caso dos democratas vencerem esta eleição, e daqui a uns anos. A recente mudança de atitude em relação à Palestina preocupa-me, as afirmações em relação a Bin-Laden, ao Irão, Afeganistão, tudo isto será apenas no calor das eleições ou será o que temos a esperar deste candidato.
Vivo uma permanente desconfiança em relação às políticas Americanas, esperei que destas eleições viesse uma nova brisa, mas já perdi a fé, creio sinceramente que pouco ou nada irá mudar, pelo menos no que à política externa, que é o que nos interessa, concerne. Os grandes interesses irão condicionar um ou outro, e assim tudo ficará na mesma, para mal dos nossos desejos...

sábado, 27 de Setembro de 2008

1981 Farpas

No momento em que vivemos, esquecer a política ou assumir uma posição de desinteresse é uma negligência social, podemos até fingir que não ligamos, recusar o dever cívico e depois andar por aí a fazer discursos de indignação com a célebre afirmação "são todos iguais"... Podemos, mas não devemos. Por muitas voltas que se dê, a política faz parte das nossas vidas, numa breve e simples pesquisa do termo "política", podemos encontrar esta descrição na Wikipedia "O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana."
Assim, vivemos as consequências das políticas e dos políticos, há matéria inesgotável para reflectir, analisar e debater. O divórcio da população com a política é grave e o resultado desta atitude pode ter mais peso na evolução de uma sociedade que se esta população tivesse uma voz activa. Goste-se ou não, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é política.
1981 Farpas é parte do meu contributo, acredito sinceramente que de uma vez por todas, o povo deve fazer-se ouvir, deve exprimir a sua vontade de lutar por uma sociedade que responda à evolução que nas últimas décadas revolucionou o Mundo, vivemos uma época tão interessante como perigosa e não devemos continuar a depositar cegamente as decisões nas mãos de pessoas que muitas vezes não têem a capacidade para as tomar.
Falando do nosso País, a responsabilização tem de ser uma realidade, se 100 mil pessoas nas ruas a protestar não são um sinal suficiente, esse número tem de ser dobrado, uma e outra vez até que percebam que não estamos a dormir. O permanente regresso de políticos que nos últimos 34 anos deixaram a sua marca pela negativa ao parlamento ou a outros cargos é algo que não consigo perceber, pequenos períodos de menor exposição parecem ser suficientes para que o que fizeram seja esquecido.
Mas para uma introdução a este meu novo espaço já chega, até porque estou a generalizar muito e a falar pouco de situações concretas, e não tenho por objectivo esconder-me atrás de "bocas" ou insinuações. Quero isso sim falar do que sei, do que vejo e do que penso, com a convicção de quem é fiel aos seus princípios.